Chateau Yvonne 07, distinção e frescor!

 

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Vinho branco da denominação pouco aclamada chamada Saumur (Loire). Eles também fazem um tinto em Saumur-Champigny que ainda não tive o prazer de experimentar. As vinhas são conduzidas de maneira orgânica e o vinho é envelhecido em madeira nova. Esse branco é um vinho luxuoso, de frescor revigorante e de uma mineralidade incrível. Característica provavelmente oriunda do solo de argila misturado a giz.  Metade do vinhedo é plantado com chenin blanc de vinhas de 40 anos e a outra metade com a tinta cabernet franc.

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Mathieu Vallée, proprietário e enólogo, tem uma jóia em suas mãos. O vinho em sua juventude tem cor de ouro novo, bem brilhante. Aromas de sabonete recém aberto, flores do campo, perfumado, sofisticado. Aroma de mar, aquele frescor de lençóis lavados. Na boca é um vinho gordo, encorpado (já provei mais densos), de ótimo volume. Parece não querer terminar. Jamais tome café após um vinho desses, irá apagá-lo. Seria um crime.

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Infelizmente é mais um daqueles exemplares sem importador no Brasil. Pela raridade e baixo potencial comercial em nossas terras, acho difícil que chegue ao país. Vinho para se comprar de caixa nas viagens ao exterior.(vinho da esquerda-mais claro- é o Yvonne)

Montchenot 15 años Cosecha 1992

montchenotfDesde julho do ano passado fiquei de comentar alguns vinhos raros que trouxe de Buenos Aires. Este é o primeiro do lote trazido à época. Sobre a gastronomia portenha já comentei em postagem anterior (ver o link).

Confesso que aguardava ancioso a prova deste incrível vinho argentino: o Montchenot 15 años Safra 1992, da Bodega Lopez. Queria fazer parte da controvérsia que envolve o rótulo, por ser este o maior vinho de guarda da Argentina. Ele é feito a partir de parreiras velhas com mais de 60 anos de idade, em Mendoza. A primeira safra foi produzida em 1960 e desde então quase ininterruptamente até a recente de 1999. Sempre com mesmo corte de cabernet sauvignon (predomínio), merlot e malbec. Após a colheita o vinho é maturado em grandes toneis de carvalho francês de 5.000 lts por 10 anos. Depois permanecendo por mais 5 anos nas garrafas. No caso do Reserva 20 años, ele fica 10 anos engarrafado.

Seguindo a recomendação do próprio produtor, antes de beber deixei aerando por duas horas. No aroma surgiu um leve couro e notas defumadas. Ainda de aromas plenos e abertos, o que é incrível para um vinho de tantos anos. Na boca, álcool quase impercetível e a perfeita acidez harmonizada com taninos polidos e finos. Longa persistência no fim de boca. Bebendo às cegas muitos dirão tratar-se de um bordeaux francês, tão idêntico é o sabor. Interessante notar que já está pronto para consumo (passados estes 19 anos), não necessitando de mais guarda. Mostrava ótima estrutura num médio corpo. De cor rubi e algum tijolo. Enorme elegância e personalidade. Nota 92 pts. Pena esta botelha não ser vendida no Brasil; para conseguí-la só indo a Argentina.

Enfim, a controvérsia sobre a qualidade deste belo vinho, para mim se desfez em alegria e contentamento, e talvez exista por preconceito daqueles que enxergam só o rótulo ao invés do conteúdo da garrafa. Esta, portanto, é uma das ampolas de surpreender e que deve ser exaltada, devido o carinho e trabalho artesanal na sua produção. Meus parabéns aos enólogos da Bodega Lopez por seguir este difícil caminho para conseguir um vinho desta magnitude e complexidade, neste mundo vinícola de vinhos rápidos e comerciais! Aí está um exemplo que não podemos esquecer: guardar um vinho por 15-20 anos sem cobrar um preço exorbitante é algo raro nos dias atuais. O grande mestre Patricio Tapia, do Guia Descorchados (Chile), lamenta o fato de que a elegância deste vinho seja esquecida dos apressados consumidores de “bombas”, mas enquanto existir o DCV nada disso estará perdido. Aqui conto um segredinho a vocês: ainda tenho outra garrafa estocada…o seguro morreu de velho e trouxe duas na bagagem.   :))

 

Vinhos: você sabia que…( 5 ) – 1a.temporada

vinsobreVinhos: você sabia que… existem diferenças entre vinho botritizado, fortificado, licoroso e de colheita tardia!

Sim. Essas diferenças são sutis mas existem de fato. O que há em comum entre eles é que todos são vinhos de sobremesa.

O Botrytis Cinerea é um fungo que ataca as videiras quando em maturação e as torna secas pela ação da retirada do sumo interno das bagas. O fungo surge normalmente em plantações úmidas e frias, e causam o que os cientistas chamam de “podridão cinzenta”, cujos sintomas são: bolor (mofo) cinzento nas cascas e desidratação das frutas, tornando-as enrugadas e sem vida. Para saber um pouco mais sobre a botrytis e a podridão “nobre”, leia o artigo 6 da série, na próxima semana.

Na lista a seguir temos alguns vinhos de sobremesa mais conhecidos.
* Botritizados: os lendários Tokajs (Hungria), os Sauternes (França), Ausbruch (Áustria) e o famoso Château d’Yquem (França).
* Fortificados: Porto (Portugal) e Jerez (Espanha). São obtidos com adição de álcool vínico e normalmente atingem mais de 20% de volume alcoólico.
* Licorosos: Marsala (Itália) e Madeira (Portugal). Muito usados como digestivos, e também na culinária.
* Colheita tardia: Icewines (Canadá) e Vinhos Santos italianos. Seu fabrico se dá pela colheita [tardia] das uvas meses depois da vindima normal, quando os bagos encontram-se quase em estado de passas – não necessariamente atacadas pelo botrytis, mas geralmente em extremo processo de amadurecimento.
* Demais vinhos doces: existe ainda a categoria de vinhos usuais de sobremesa, produzidos em várias partes do mundo, obtidos a partir da manutenção de parte do açúcar residual pela interrupção da fermentação. Usualmente acabam por atingir níveis normais de álcool (12%) ao final do processo vínico.


Quer dar mais elegância ao seu jantar, sirva um vinho de sobremesa. Seja qual for seu gosto, pratique este hábito e termine suas refeições com um final de gala. Saúde!

Até um novo artigo da 1a. temporada da série “Vinhos: você sabia que…(6)”.