Astéroide, o vinho mais raro de Dagueneau!

gosto12Poucas coisas me emocionam tanto no mundo do vinho quanto os brancos do Loire. Provar vinhos únicos e raros de produtores diferenciados como Dagueneau é sempre um momento marcante. O que dizer então de poder degustar seu vinho mais raro, Astéroide 2008?

Já tive a oportunidade de beber quase tudo de seu portfólio, desde os raros Clos du Calvaire, Le Mont Damné  e  Les Jardins de Babylone, mas provar o Astéroide era algo tão distante quanto degustar o Romanée-Conti. Tanto pela raridade quanto pelo preço. Astéroide é o vinho mais caro do Loire (quando se encontra para comprar), só são feitas 200 a 400 garrafas por ano (a safra 07 gerou 250 garrafas). Dessa pequena produção apenas uma parte é vendida a clientes escolhidos e o restante fica na propriedade.

Astéroide vem de uma parcela de 0,2 hectares, com 18 fileiras de vinhas pé-franco, localizadas no vinhedo “La Folie”, perto da aldeia de Moussard, que também é fonte de outro de seus vinhos, Pur Sang.

O vinho, como todos os outros dele, passa 12 meses em madeira e depois vai para o inox ficar mais 8/12 meses. Sempre imaginei (não sei por qual razão) que esse fosse o vinho mais amarelo, untuoso e encorpado do produtor. Quando o vi no decanter com aquela cor clara como água confesso que me decepcionei, mas quando chegou a taça o encanto voltou. É sem dúvida o vinho de maior acidez de Dagueneau, se é que isso é possível. O vinho engana com um corpo leve, na boca é um mamute salivante, muito mineral e de um prolongamento incrível. A madeira muito integrada não encobre a fruta e é no nariz que ele mostra ineditismo em vinhos brancos, mostrando aromas de estábulo, couro, cítrico, limão, romã e tomilho.

Tradução do contra-rótulo:

“Pé-franco,
direto ao coração…
Abriu seu terroir,
a Sauvignon enraizou-se, floresceu. Livre.
Esse vinho, fruto sutil do risco de viver,
forte, luminoso
carrega uma estranha emoção.
Transtorno e evidência
de uma beleza natural que parece pura loucura…”