Viniveri 2016- Vinho segundo a natureza!

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Por Alessandra Rodrigues (Sommelière)

 

Nos dias 8, 9 e 10 de abril também na Itália, para os amantes de vinhos artesanais, acontece o evento chamado Vini Veri.

O grupo Vini Veri não trata de vinhos “bio” ou “não bio”, mas indica simplesmente as ações que permitem a uma produção, se mostrar plenamente. Eles têm como objetivo obter um vinho ausente de estabilizações, estabelecendo o melhor equilíbrio entre a ação do homem e os ciclos da natureza. Esta é, em síntese, a finalidade do trabalho desse grupo. Algumas normas que têm que ser seguidas para os vitivinicultores fazerem parte desse grupo são:

Nos vinhedos:

  • Devem ser excluídos herbicidas, dessecantes, adubos químicos e videiras geneticamente modificadas;

  • O cultivo deve ser só de videiras autóctones;

  • Para tratamentos de doenças nos vinhedos, podem ser usados somente produtos permitidos pelas normas em vigor para a agricultura biológica, excluindo obviamente, produtos de síntese, penetrantes ou sistêmicos;

  • A vindima deve ser manual.

Na produção dos vinhos:

  • Uso exclusivo de fermentos indígenas presentes nas uvas e nas cantinas;

  • Exclusão de qualquer produto de nutrição, sustentação ou condicionamento, como vitaminas, enzimas e bactérias;

  • Exclusão de qualquer sistema de concentração ou secagem forçada;

  • Uso de “appassimento” natural da uva ao aberto, sem forçar nada;

  • Exclusão de qualquer tipo de manipulação para acelerar ou diminuir a fermentação natural do mosto e do vinho;

  • Fermentação sem controle da temperatura;

  • Exclusão de clarificação e de filtração que alterem o equilíbrio biológico e natural dos vinhos;

  • A quantidade de enxofre total não pode nunca ser superior a 80 mg/L para os vinhos secos e de 100 mg/L para os vinhos doces.

Quem quiser conhecer os “vignaioli” e degustar os vinhos produzidos por eles, tem que ir à AreaExp – via Libertà 57, Cerea (VR) – Veneto – Itália, das 10h às 18h. O custo do ingresso é de 20 euros, inclui um livreto de degustações e uma taça. Quem quiser, também vai poder comprar os vinhos que gostar na Enoteca Vini Veri, presente no evento.

Vinitaly 2016

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Por Alessandra Rodrigues (sommelière)

Nos dias 22 e 23 de setembro de 1967, no Palazzo della Gran Guardia, surgiu a primeira manifestação que divulgou a evolução do sistema vitivinícola nacional e internacional na Itália. Essa feira contribuiu para fazer do vinho, uma das mais envolventes e dinâmicas realidades do “made in Italy”.

Nos dias 10, 11, 12 e 13 de abril, acontecerá a 50ª edição do Vinitaly, o que sinaliza um ponto de partida para um futuro novo, diferente.

Na festa dos seus primeiros 50 anos, a feira reconhecida econômica e estrategicamente pela internacionalização das empresas vinícolas italianas, entra no plano de promoção extraordinário do “made in Italy”, sendo financiada pelo Ministério do Desenvolvimento Econômico, como feira de referencia do setor enológico.

Após 22 anos, o Concurso Enológico Internacional, o mais seletivo do mundo, se transforma em Prêmio Internacional “5 Star Wine”, que será dado somente aos vinhos que atingirem e superarem os 90 centésimos no julgamento feito pelas comissões compostas por especialistas internacionais, por área de proveniência dos vinhos. Surge também o Premio Wine Without Walls.

Imperdível, essa feira acontece no Verona Fiere, viale del Lavoro, 8, em Verona, das 9:30h às 18h, nos dias 10, 11, 12 e 13 de abril. Estarão presentes mais de 4.000 expositores!

O ingresso diário custa 80 euros, mas pelo site pode ser comprado por 75 euros.

Quem quiser participar dos quatro dias, pode pagar por um ingresso único, que permite a entrada nesses 4 dias, por 115 euros, comprando pelo site; ou 120 euros, se não for pelo site.

Site: http://www.vinitaly.com/it/Biglietto-e-coupon/

Solarco Bianco Livon: o sol brilhante do Friuli

Solarco Livon 2011 (Friulano-Ribolla Gialla)

Vinícola de Udine, na Itália, de pequena produção – só 6.500 gfs. – fundada há 50 anos por Dorino Livon, que hoje entrega para sua terceira geração de vinhateiros do Friuli-Venezia. Mais um incrível vinho de personalidade, dos melhores brancos do norte da Itália. Autóctone, feito com uvas Friulano e Ribolla-gialla, este maravilhoso blend rende inúmeros elogios dos apreciadores daquela região. O formato da garrafa é outro diferencial, lembrando os ancestrais vasilhames do início do séc.XX. Adquiri-o numa pequena enoteca em Gênova, sem nenhum piscar de dúvida do senhor dono da loja, quando o pedi em aconselhamento.

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Aromas de pão assado, cheirinho delicioso de recém saído do forno, suave baunilha e algum cítrico. Na boca explode em sabores: surge maçã verde, frutas tropicais frescas, mirtilo e limão italiano. Nota 90 pts. Esta ampola não passa em madeira mas tem bom corpo para um branco, sem perder características de sabor refrescante. Um vinho perfeito com massas, especialmente de frutos do mar e defumados. Extremamente agradável no palato, ótima acidez e uma complexidade notável fazem deste rótulo algo que sempre pedimos num vinho branco: longa persistência. Maravilhoso!!

Por Antonio Coêlho

Um achado perdido no Piemonte: Le Piane

Le PIANE Boca 2005

LPianeLGDando continuidade à matéria anterior sobre o Jantar com Parmigiano (veja aqui), naquele evento também provei este vinho natural garimpado pelos amigos Wang TS e Renata Berford, em passagem pela Itália. Produção natural e método arcaico, este vinho ancestral denota enorme cuidado na plantação e vinificação. Do pequeno vilarejo de Boca (Novara) de só 1.500 habitantes, noroeste da Itália, este exemplar único de terroir, mostra as castas Nebbiolo (85%) e Vespolina (15%) – uva autóctone achada no Piemonte – em suas plenitudes aromáticas e frescas, diferentemente dos potentes conhecidos Barolos.

De fermentação lenta com leveduras indígenas, são produzidas só 9 mil ampolas. Com maturação de quatro anos em grandes tonéis de carvalho esloveno, mais um ano em garrafa. Na boca uma explosão de frutas vermelhas maduras, com ótima harmonia acidez/álcool. Taninos maduros e média persistência. Nota 91 pts, e pedindo MAIS. Vinho que vale cada centavo de Euro´s. Daqueles achados que nos arrependemos de não ter outro na bagagem, definitivamente!

Por Antonio Coêlho.
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Uma festa de Babette de Parmigiano

Num Jantar INÉDITO aqui em Brasília, este Editor que vos escreve promoveu no mês passado uma verdadeira festa de Babette, cujo tema era o queijo Parmigiano Reggiano. Executamos um Menu em três etapas apenas com pratos preparados à base do mais famoso queijo do mundo, o parmesão Reggiano – não confundir com seu primo-pobre, o grana-Padano (risos) – sendo que a ideia INOVADORA era degustar queijos de diferentes maturações, com 24 meses, 30 meses e 36 meses, algo inexistente no Brasil.

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Os pratos servidos aos sortudos convidados (Chef Renata Berford, Wang TS, Chef Jorge Barbosa, Francis, e o casal “queijeiro” Bodani e Marina), foram: Carpaccio al parmigiano en petali con d’olio tartufo; Due sformatini (fichi/prosciutto + burrata/ pomodoro); e RISOTTO Cacio e Pepe – receita do famoso Chef Massimo Bottura. 

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Lógico que este INUSITADO cardápio foi harmonizado com vinhos trazidos da Itália, na maioria orgânicos e biodinâmicos, que a seguir, e em outras postagens iremos descrever para vocês.

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Barolo VIETTI Castiglione DOCG 2010: Piemonte, 24 meses em barricas de carvalho, uva Nebbiolo. Taninos marcantes, mas não verdes, indicando mais uma década de guarda. Não apresentou melhor evolução devido pequeno tempo de guarda – somente cinco anos, o que é pouco para um Barolo deste nível. Mas mostrou-se bem equilibrado e boa acidez, com longa persistência. Nota 90 pts.

CASALE Chianti Riserva Biologico 2005 – Um dos melhores representantes da vinicultura biodinâmica da Itália, este mestre artesão da Toscana, Antonio Giglioli, traz a essência do que seja um Chianti Riserva autêntico, sem máscaras ou enganos modernos. Trabalhando com parreiras de 40 anos, o vinho fermenta com leveduras indígenas e captura tudo de bom que a uva Sangiovese tem a oferecer: frescor e vivacidade, num corpo deliciosamente leve. Toda produção é biodinâmica, sem químicos, sem filtração e livre de SO2 (Sulfitos). Estagia por 30 meses em tonéis de carvalho. Possui aroma aberto de compota e frutas negras do bosque. Na boca é equilibrado e harmonioso, com taninos maduros, pedindo mais cinco anos adiante. Muito elegante e longa persistência. Provar um Chianti como este é fazer desaparecer por completo todos os demais vinhos rotulados com este padrão. Nota 92 pts. Belíssimo!!

 

Por Antonio Coêlho.

Dois Vinhos Ícones; Duas Escolas Distintas

Neste período de Festas de fim de ano, aproveitei para “reviver” alguns rótulos de vinhos (coisa rara, no meu caso…Risos!), e retirar outros novos da adega. Depois de provar cerca de dez rótulos em apenas uma semana, acabei por colocar lado a lado dois grandes ícones da produção mundial, com o mesmo estilo, mesma safra/ano, mas que representam duas escolas vitivinícolas distintas, separadas pelo Oceano das Navegações. Vamos a eles, então.

Beau Sejour2005  Almaviva2005

Almaviva 2005 – É o grande ícone do Novo Mundo, que já vai para sua segunda década de saúde e prestígio. Trata-se de uma das melhores safras deste classudo chileno, resultado da união das vinícolas Concha y Toro (chilena) com a Château Mouton Rothschild (francesa). Esta safra foi a terceira que já provei (2002 e 2004), sendo considerado um vinho de alto nível entre seus pares sul-americanos. 18 meses em barrica, primeiro e segundo uso, muito bem dosados pelo enólogo francês Michel Triou, que executa o blend semi-bordalês: Cab.Sauvignon (74%), Carménère (21%) e Cab.Franc (5%). Confesso que não sou adepto mais de vinhos tipo “carnudos”, no estilo baunilhados e amadeirados, mas este exemplar consagra o que há de melhor na produção de vinhos americanos. Um vinho de “fino-trato”, com aroma frutado e torrefação elegante e frutas vermelhas frescas. Violáceo na cor. Na boca, especial atenção na harmonia entre álcool e taninos. Tipicidade franco-chilena bem presente. Numa degustação às cegas, certamente rivaliza com outros da Europa, fácil, deixando de queixo caído até os preconceituosos de plantão [risos]! Vinho no auge da vida, após 10 anos. Em mais cinco anos não creio estar tão excepcional, assim. Nota 93+ pts.

Château Beau-Séjour Becot 2005 (1er Cru Classé) – Este vinho francês pertencente à família Bécot, cujo Château existe desde séc.XVIII, é da sub-região St.Émilion e está entre os vinte Premier Grand Cru de Bordeaux. Esta excepcional vinícola francesa sempre alcança elevadas qualificações do guia La Revue Du Vin de France, sendo ela a primeira a obter o título 1er. Grand Cru de Bordeaux-B, em 1969. Produção pequena (40.000 gfs/ano), seu líquido é formado de Merlot (70%), Cab.Franc (24%) e Cab.Sauvignon (6%), com 18 meses maturados em barricas novas e velhas. Cor vermelha profunda e límpida. Aromas de frutas negras, chocolate e algum defumado, com leve especiaria. Na boca começam as comparações entre o Almaviva. Este é mais profundo e concentrado. Sabores complexos surgem a cada gole. Delicioso paladar geral, com harmonia espantosa. Estiloso à toda prova. Uma ampola MAGNÍFICA em tudo, exceto por um detalhe: taninos ainda jovens. Isto mesmo! Este fabuloso bordeaux ainda viverá ativo por mais longos 10 anos – outra das diferenças das duas escolas enológicas (chilena e francesa): a longevidade!! Nota 94+ pts.

Segredos do Vinho – vídeo Curso lançado em Brasília

Na última 4a.feira (dia 18) ocorreu o lançamento do vídeo-Curso SEGREDOS DO VINHO, de autoria dos amigos Marcos Rachelle e Etiene Carvalho. O Curso é composto de livro e 3 DVD’s de 249 minutos, que ensina desde a compra até as melhores harmonizações ao estudante. Conta ainda com Certificado ao final do curso. Os autores estão de parabéns por mais esta obra a aumentar o arcabouço literário brasileiro a respeito de nossa bebida sagrada, o Vinho. Um trabalho belíssimo com mais uma chancela do excepcional sommelier, professor e profissional do vinho, Marcos Rachelle, e da Etiene pela elaboração do projeto editorial e pedagógico. O evento ocorreu no restaurante Dom Francisco (ASBAC), em Brasília. Para quem desejar adquirir o preço é de R$ 380,00 e pode ser pedido para: [email protected] , ou diretamente para EDITORA CPT (acesse aqui).

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Etna Rosso ValCerasa 2008 Biológico

Comecei este fim de semana como uma criança (homenagem ao dia dos pequenos de 2015): brincando de abrir os “presentes” trazidos da Itália mês passado. Ampolas, na verdade! (Risos). Aproveitei o feriado para voltar às caçarolas e beber meu primeiro vinho do kit-biológico adquirido em Veneza, Itália. A garrafa escolhida foi em razão da refeição preparada por este Chef que vos fala: codornas marinadas na laranja e vinho por 12 horas e assadas ao forno, guarnecidas com batatas coradas de alecrim e arroz biro-biro.
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Etna Rosso ValCerasa 2008 Biológico
– de Alice Valcerasa. Cor rubi e tijolo, com uma límpida transparência. Aromas de especiarias e chocolate. Na boca notas de minerais e suave mentolado. Seus taninos e elegância denotam o cuidado do produtor. Feito da uva autóctone Nerello, da Sicília, de solos vulcânicos. Usando leveduras indígenas, este exemplar da vitivinicultura orgânica italiana não passa em madeira; vinho fresco, com destaque para a fruta. Nota: 90 pts. Não é vendido no Brasil. Produção pequena: 20.000 gfas, distribuídas na União Europeia. Delicioso do primeiro ao último gole!
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