Os vinhos da Colúmbia Britânica, Canadá – Parte 1

Atenção leitores e enófilos de plantão, apresentamos a seguir dois artigos produzidos por nosso amigo Joel, falando sobre vinhos canadenses, cuja indústria vinícola começa a despontar para o mundo, e não só pelos famosos ice-wines. Aproveitem o maravilhoso texto, e aguardem a segunda parte para próxima semana. Boa leitura!

Os vinhos da Colúmbia Britânica (Canadá) – Ilha de Vancouver

Prof.Dr. Joel Camargo Rubim
(Doutor em Química e Enófilo)

Quando se fala do Canadá sobre vinhos, sempre vem à mente os ice wines, vinhos com características adocicadas suaves, de baixo teor alcóolico. Os mais conhecidos são os produzidos na região de Niagara Falls (província de Ontário), que produz outros vinhos além dos ice wines. No entanto, a Colúmbia Britânica (BC), que fica na costa oeste do Canadá, também produz bons vinhos, os quais são pouco conhecidos no Brasil. O mapa ao lado mostra as regiões produtoras de vinho na BC. Relatarei aqui, em dois artigos, minha experiência, pequena, com os vinhos de duas dessas regiões, Ilha de Vancouver (não confundir com a cidade de Vancouver) e Vale do Okanagan. Neste primeiro artigo, falaremos dos vinhos da Ilha de Vancouver, onde fica Victoria, a capital de BC.

A Ilha de Vancouver, riquíssima em belezas naturais, conta com mais de vinte e quatro vinícolas, dispersas em quatro regiões: i) Vale do Cowichan, a mais proeminente região produtora de vinhos da ilha, onde fica a interessante cidade de Duncan (cidade dos totens), região das tribos Cowichan; ii) Penísula de Saanich, uma faixa de região agrícola na costa leste da ilha, ao norte de Victoria, na direção da cidade de Sidney; iii) Ilhas do Golfo (Gulf islands), com várias pequenas vinícolas de empreendimento familiar (Ilhas de Saltspring, Pender e Saturna) e iv) Vale do Comox, região mais ao norte da ilha, de tradição agrícola, com vinícolas próximas à Comox e Courtenay.

MapaIlhaVancouver  Symphony

Na passagem por Victoria, visitei apenas algumas vinícolas do Vale do Cowichan e da Península de Saanich. Em Saanich fiz desgustações na Muse Winery, Symphony Vineyards e De Vine Vineyards. Essas vinícolas ficam há cerca de 20 a 40 minutos do centro de Victoria. As três vinícolas produzem vinhos de uma uva tinta híbrida chamada Maréchal Foch, introduzida no Canadá na década de 40.  Gosto não se discute, mas os vinhos que mais me agradaram dessas vinícolas foram os brancos, em especial, aqueles vinificados com a uva Ortega (um cruzamento das uvas Müller-Thurgau e Siegerrebe). Um destaque para a Symphony, um lugar romântico e acolhedor, com um mini bistrô, onde é possível ter momentos muito agradáveis. 

No vale do Cowichan, situado há cerca de 1h do centro de Victoria, VenturiPNoir1bfica a maior comunidade das primeirasnações (povos indígenas) de BC. Nessa região degustamos vinhos na Blue Grouse Estate Winery, Cherry Point Estate Wines, Enrico Winery, Silverside Farm and Winery, Unsworth Vineyards, Venturi-Schulze Winery e Zanatta Vinotecca Winery. Vinícolas em destaque: i) Venturi-Schulze: aqui degustei um dos melhores Pinot Noir da região (Foto) e seus maravilhosos vinagres balsâmicos, alguns envelhecidos por 11 anos em média em barris de diferentes tipos de madeira, produzidos segundo técnicas tradicionais italianas antigas, além do balsâmico feito com maple (envelhecido 10 anos em barris de castanheira). ii) Zanatta: uma das pioneiras da ilha, aqui os destaques ficam para o espumante Taglio Rosso, produzido pelo método champenoise com uvas Cabernet Sauvignon e Castel e o Damasco, um vinho levemente frisante, produzido a partir de várias uvas brancas, onde, como o nome diz, sobressaem os aromas e sabores do damasco. Na Zanatta também se come muito bem, pratos bem apresentados, por preço razoável. iii) Silverside: a experiência aqui é diferente, pois se pode degustar bebidas deliciosas feitas a partir da vinificação de frutas silvestres como amoras pretas, framboesa e tayberry, um cruzamento de framboesa com amora preta. O vinho feito de tayberry, com 15,5% de teor alcoólico, é simplesmente delicioso. 

As preocupações com o meio ambiente estão presentes em todas as vinícolas visitadas, mas apenas a De Vine produz vinhos com certificação de produto orgânico (De Vine). A Venturi-Schulze tem uma produção sustentável, não faz uso de qualquer agrotóxico, porém não é certificada. Em todas as vinícolas, as degustações variam de 5 a 10 dólares canadenses e ficam de graça ao se levar uma garrafa de vinho. Mas, e os ice wines? Nenhuma das vinícolas que visitei produz ice wines, somente a Venturi-Schulze produz o delicioso vinho de sobremesa, Brandenburg No.3 2011, que, sem dúvida, faz jus ao nome.

Jantar árabe harmonizado com vinhos israelenses

Empório Árabe realiza jantares harmonizados com vinhos israelenses

Eventos ocorrerão nesta segunda-feira (18/4), em Águas Claras, e terça-feira (19/4), na Asa Sul. Menu será composto por quatro etapas e cinco rótulos: três da vinícola Golan Heights, da Galileia, e dois europeus

 

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Sempre com o objetivo de inovar e proporcionar aos clientes uma experiência gastronômica diferenciada, o Empório Árabe oferece eventos que buscam aliar a culinária do Oriente Médio a sabores memoráveis dos quatro cantos do mundo. Desta vez, a marca comandada pela chef Lídia Nasser, em parceria com a Videira Vinhos, promove jantares harmonizados, em sua maioria, com vinhos israelenses nas duas unidades. Em Águas Claras,  será nesta segunda-feira (18/4), às 20h30. No dia seguinte, terça-feira (19/4), será a vez da 215 Sul, no mesmo horário.

Dos cinco rótulos inclusos no menu, três são da vinícola Golan Heights, situada na Galileia, região no norte de Israel. Os vinhos pertencem à Yarden, marca premium da Golan, e são classificados como Kosher – a palavra hebraica que significa “digno de confiança”, “apropriado” e “bom”, refere-se a um estilo de alimentação baseado no Torah, o livro religioso dos judeus, que estabelece restrições de alguns itens, levando em conta uma dieta mais saudável e higiênica. Há, ainda, outros dois rótulos, um da França e outro da Hungria.

O jantar será composto por espumante de boas-vindas, uma entrada, dois pratos principais e uma sobremesa. O valor é de R$ 190,00 por pessoa, mais 10% de taxa de serviço. Além dos rótulos sugeridos para harmonização, o valor inclui água com e sem gás e café. As reservas podem ser feitas pelos telefones (61) 3436-0063, em Águas Claras, e (61) 3363-3101, na Asa Sul.

O jantar

Para a recepção dos comensais, será servido espumante francês Marquis de La Tour Brut Rosé. Composto pelas uvas Cabernet Franc, Carignan e Grenache, o rótulo é meio seco e traz aromas frutados de morango e framboesa, além de notas de ervas e flores. Ideal para aperitivo, a bebida é refrescante e possui 12% de graduação alcoólica.

A entrada será a Torre de Texturas (camadas sobrepostas de kibe cru, coalhada seca, tabule e chips de cebola negra, acompanhadas de torradas de pão folha). Para harmonizar, Yarden Chardonnay (da Golan Heights), vinho branco seco preparado com 100% da uva Chardonnay. Refrescante, saborosa e encorpada, a bebida possui aromas com notas de frutas cítricas, minerais e especiarias doces. O teor alcoólico é de 14,3%.

Na sequência, será servido o primeiro prato principal – lascas de paleta cozida em baixa temperatura com cebola caramelizada, guarnecidas de sêmola e creme de espinafre. O rótulo escolhido para acompanhá-lo será o Yarden Mount Hermon Red (da Golan Heights). Preparado com as clássicas uvas de Bordeaux (Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc, Petit Verdot e Malbec), apresenta aroma de cerejas e frutas, com toques de casca de laranja e ervas. O teor alcoólico é de 14%.

O segundo prato principal será o Carré de cordeiro ao molho de Vinho do Porto, guarnecido de risoto de parmesão. O Yarden Syrah (da Golan Heights) dará o toque especial a essa etapa. Tinto seco com 15% de graduação alcoólica, possui aromas de frutas silvestres e notas de carne defumada, couro e terra molhada. A presença da uva Syrah confere um sabor encorpado e denso à bebida.

Para a sobremesa, tradicional panqueca preparada com recheio de nata e calda de laranja, que será servida junto com o Royal Tokaji Furmint 2013, um vinho branco húngaro ideal para preparos doces. Marcante pela complexidade, equilíbrio e elegância, traz aroma e sabor de frutas. A degustação é agradável, o teor alcoólico é de 13% e a bebida, feita a partir da uva Furmint.

Vinho de qualidade

De acordo com as leis judaicas, um alimento kosher é aquele considerado adequado para consumo por seguir determinadas regras da religião. Essa alimentação baseia-se no Torah, o livro religioso dos judeus, e estabelece restrições a alguns itens, levando em conta uma dieta mais saudável e higiênica.

As restrições incluem os cortes bovinos considerados de primeira, insetos, crustáceos e peixes sem escamas, por exemplo, enquanto frango, carneiro, bode e cervo são liberados. No caso dos vinhos, o preparo segue algumas regras específicas das leis judaicas. Entre elas estão a exigência de que as uvas sejam colhidas manualmente e, obrigatoriamente, por judeus. Durante o cultivo, as cepas precisam crescer sem intervenções, somente com adubos orgânicos – desde que os químicos sejam utilizados em até, no máximo, dois meses antes da colheita.

Além disso, as videiras não podem ter menos de quatro anos e nenhum outro tipo de planta deve ser cultivado nos vinhedos. Toda a matéria-prima utilizada no preparo dos vinhos precisa ser kosher também. Conhecidos pela alta qualidade, os rótulos kosher são produzidos em menor escala, não apenas em Israel, mas também em países como França, Itália e Espanha, entre outros.

A vinícola

Fundada em 1983 nas colinas do Golan, na Galileia, a vinícola Golan Heights é referência no cultivo de uvas e produção de vinhos. Por essa razão, ficou famosa pelo título de “a terra do vinho”. O reconhecimento mundial fez com que a Golan se tornasse a primeira vinícola israelense a entrar para a lista Top 100 da Wine Spectator, que figura entre as mais importantes revistas especializadas em vinhos.


Jantar árabe harmonizado com vinhos israelenses

Empório Árabe Águas Claras

Segunda-feira (18/4), às 20h30.

Av. Castanheiras 1060, Loja 24, Ed. Vila Mall, Águas Claras. Reservas: (61) 3436-0063.

Empório Árabe Asa Sul

Terça-feira (19/4), às 20h30.

215 Sul, Bloco A, Loja 3, Brasília-DF. Reservas: (61) 3363-3101.

Vin Natur

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Por Alessandra Rodrigues (Sommelière)

 

Daqui a pouco, no mês de abril, começa a mais importante manifestação de vinhos naturais da Europa: a VinNatur! Lá estarão reunidos vitivinicultores europeus que tem o objetivo de compartilhar as técnicas e as experiências na produção de vinhos de forma natural, seja através do trabalho durante o cultivo das videiras, que na produção dos vinhos em si; além de divulgar a cultura do “terroir”. Esse evento surgiu como resultado natural do crescente empenho que os viticultores têm tido, na difusão de uma nova cultura vinícola.

A associação de Vinicultores Naturais “VinNatur” é composta por 140 vitivinicultores de 7 países diferentes, dentro os quais: Itália, Áustria, Espanha, Eslovênia e França.

Produzir vinhos naturais significa agir com total respeito ao território, às videiras e aos ciclos naturais; limitando através de experimentos, o uso de agentes invasivos e tóxicos (de natureza química e tecnológica), primeiro no cultivo das videiras, e depois, na produção dos vinhos.

Cada visitante que for à Villa Favorita poderá encontrar e conversar com os vitivinicultores, degustar os vinhos feitos por cada um deles, e também comprar os vinhos que mais gostarem!

VinNatur será na Villa Favorita (Monticello di Fara – Sarego – Vicenza – Itália), nos dias 9, 10 e 11 de abril das 10h às 18h. O ingresso custa 20 euros por dia e inclui um guia do evento e uma taça pra degustação.   

 

Viniveri 2016- Vinho segundo a natureza!

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Por Alessandra Rodrigues (Sommelière)

 

Nos dias 8, 9 e 10 de abril também na Itália, para os amantes de vinhos artesanais, acontece o evento chamado Vini Veri.

O grupo Vini Veri não trata de vinhos “bio” ou “não bio”, mas indica simplesmente as ações que permitem a uma produção, se mostrar plenamente. Eles têm como objetivo obter um vinho ausente de estabilizações, estabelecendo o melhor equilíbrio entre a ação do homem e os ciclos da natureza. Esta é, em síntese, a finalidade do trabalho desse grupo. Algumas normas que têm que ser seguidas para os vitivinicultores fazerem parte desse grupo são:

Nos vinhedos:

  • Devem ser excluídos herbicidas, dessecantes, adubos químicos e videiras geneticamente modificadas;

  • O cultivo deve ser só de videiras autóctones;

  • Para tratamentos de doenças nos vinhedos, podem ser usados somente produtos permitidos pelas normas em vigor para a agricultura biológica, excluindo obviamente, produtos de síntese, penetrantes ou sistêmicos;

  • A vindima deve ser manual.

Na produção dos vinhos:

  • Uso exclusivo de fermentos indígenas presentes nas uvas e nas cantinas;

  • Exclusão de qualquer produto de nutrição, sustentação ou condicionamento, como vitaminas, enzimas e bactérias;

  • Exclusão de qualquer sistema de concentração ou secagem forçada;

  • Uso de “appassimento” natural da uva ao aberto, sem forçar nada;

  • Exclusão de qualquer tipo de manipulação para acelerar ou diminuir a fermentação natural do mosto e do vinho;

  • Fermentação sem controle da temperatura;

  • Exclusão de clarificação e de filtração que alterem o equilíbrio biológico e natural dos vinhos;

  • A quantidade de enxofre total não pode nunca ser superior a 80 mg/L para os vinhos secos e de 100 mg/L para os vinhos doces.

Quem quiser conhecer os “vignaioli” e degustar os vinhos produzidos por eles, tem que ir à AreaExp – via Libertà 57, Cerea (VR) – Veneto – Itália, das 10h às 18h. O custo do ingresso é de 20 euros, inclui um livreto de degustações e uma taça. Quem quiser, também vai poder comprar os vinhos que gostar na Enoteca Vini Veri, presente no evento.