O famoso vinho norte-americano Opus One é um vinho bastante conhecido, já postado aqui. O que nunca soube é que a vinícola faz outro vinho, que alguns chamam de segundo do Opus, e outros apenas de Overture, que é o seu nome. Esse vinho, segundo o contra rótulo, só é vendido na própria vinícola (mas é claro que pode ser encontrado em algumas lojas dos EUA). Feito de Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot, Petit Verdot e Malbec, segue nos moldes da marca principal da vinícola. Ele envelhece 18 meses em carvalho americano e passa mais 18 meses em garrafa, antes de ser liberado para venda.
Tive sorte e prazer de conhecer esse vinho. Ele foi ofertado
pelo amigo Edgard Calfat que é um grande amante e conhecedor de vinhos. Participou ainda dessa descoberta o André Deco (Enodeco). O vinho foi colocado em decanter enquanto tomávamos um pinot do Domaine Aubert de Villaine (Côte de Chalonnaise La Fortune). Quando chegou a hora de ser provado, estava muito equilibrado, com aromas de passas, ameixa e couro. Na boca era um vinho de bastante extração e bem mais corpo que o primeiro, no estilo Bordeaux. A safra do vinho é uma incógnita, ele é classificado como NV (No Vintage-sem safra), pois é uma mistura de safras. No contra rótulo diz: “Overture é produzido em pequenas quantidades e é tradicionalmente vendido apenas em Opus One”, mas como já disse, pode ser encontrado em lojas especializadas.

Vinhos ícones portugueses, um do Douro e outro do Alentejo foram degustados juntos. O primeiro vinho foi o Herdade do Mouchão Tonel n. 3-4 safra 2005. Feito pelo enólogo Paulo Laureano, utiliza as castas Alicante Bouschet e Trincadeira. As uvas são vinificadas em lagares com pisa a pé e controle de temperatura. Todos os anos Laureano coloca os melhores lotes de vinhos nos tonéis de números 3 e 4, se evoluírem bem, é engarrafado como tonel 3-4, caso contrário, os vinhos desses tonéis são misturados com os dos outros e é engarrafado como Mouchão normal. O vinho passa 24 meses em carvalho, esse 2005 foi servido um pouco gelado, fazendo com que demorasse a se mostrar aromaticamente. Atingindo a temperatura ideal, mostrou ameixa e baunilha com bela acidez e um equilíbrio incrível, aonde os 15% de álcool não puderam ser notados. Um belo vinho que ainda está na infância.
. Só isso já mostra a seriedade do produtor. O produtor aconselha que se deixe esse vinho na posição vertical, 24 horas antes de abri-lo. Além disso, aconselha que o abra de 2 a 3 horas antes de degustá-lo. Como quem detinha a garrafa era o colega Petrus (O REI DO ATRASO), a garrafa só chegou à mesa quando todos já o esperavam. A mesma veio chacoalhando no carro e logicamente não foi aberta com a antecedência recomendada. Mesmo com tudo isso o vinho estava ótimo, apenas a cor estava turva, devido a não ter ficado em pé e ter vindo balançando, levando as borras a se misturarem ao líquido. Aromas de couro, cedro e chocolate, com acidez, elegância e final prolongado. Um dos melhores vinhos portugueses que já tomei. Fiquei imaginando como estaria esse vinho se as recomendações do produtor tivessem sido seguidas.
Semanas atrás provei o vinho 








No último dia 16 participamos da festa de aniversário do amigo Mário Viggiano. Foi uma comemoração cheia de emoção e regada a muuuiiittoo vinho. Aproveitamos para botar em dia o papo entre os amigos da confraria Amicus Vinum. Lá provamos várias ampolas, dentre elas destaco três.
Fontanafredda. Aromas abertos com boa complexidade, notas florais (violetas) sobre fruta em compota. Na boca é um vinho de taninos densos contrabalançados por boa acidez e álcool na medida. A fruta está presente mas encoberta pela madeira, não o suficiente para macular o conjunto. Teve doze meses de estágio em barrica e três na garrafa. De final longo com leve aspereza que se dissipará em alguns anos. 86 pts.



