Dando sequência à cobertura da Vinitaly, Alessandra Rodrigues nos traz a segunda parte:
“À tarde pude conhecer outras casas vinícolas das regiões Abbruzzo e Marche, como Vigna Amato, com ótimos Verdicchi dei Castelli dei Jesi DOC Clássicos e Reservas, Rosso Piceno e um interessante Vi’ de Visciola, uma bebida aromatizada a base de vinho e cerejas. Passei pela casa Marconi, onde experimentei outros Verdicchio que se harmonizam perfeitamente com os crustáceos. Provei também os Verdicchio da casa Marchetti e pude comparar todos. Na Podere Castorani tinha até um carro de fórmula 1 no stand. As pessoas paravam pra provar os vinhos e apreciavam o belo exemplar do carro de Jarno Trulli.
Na casa Conti di Buscareto, espumantes feitos 100% com a uva Verdicchio, e o vinho rosato feito com a uva Lacrima 100% também foram muito interessantes. Mas o mais interessante mesmo foi poder ter provado uma cerveja vermelha artesanal, feita colocando vinho da uva Lacrima na primeira fermentação a alta temperatura. A segunda fermentação foi feita em garrafa. Uma delícia!!! Cerveja com gostinho final de uva!!
Nos dias seguintes, passei pela Toscana, pela Lombardia, pelo Alto Adige, pela Campania, pelo Veneto…Na Fattoria Ormanni os Chianti eram excelentes e o Super Toscano Julius (Merlot e Syrah) também era muito bom! Assim como os Chianti da Monteraponi – muito muito bons! Na casa Franz Haas, famosíssima pelos seus grandes vinhos, provei um Pinot Nero e um excelente Moscato Rosa! Não podia deixar de passar pra cumprimentar a proprietária da casa Marisa Cuomo e rever a cantina que visitei quando ela estava construindo. Ela ficou contente em me mostrar as obras feitas, por fotos. E obviamente não podia deixar de experimentar o magnífico Fior d’Uva, o Furore…Visitei também uma amiga da Castello del Terriccio e claro, provei todos os vinhos, que gosto muito.
Passei também pela região específica do Franciacorta e pela Sicília que adoro, além de ter provado alcun vinhos da Emilia Romagna, que também é pouco conhecida no Brasil, mas está produzindo vinhos e principalmente espumantes interessantes. Em um dos stands conheci “Il Fornaio Anarchico”, um especialista em biscoitos, Daniele, que me fez provar o “Bustreng” que disseram ter
propriedades afrodisíacas…Biscoitos com especiarias e vinhos romagnolos – combinação perfeita!!
Os vinhos orgânicos que provei também foram de qualidade, apesar das dificuldades pra produzí-los, como me contaram vários produtores.
Gostaria de citar todas as casas vinícolas visitadas e todos os vinhos provados, mas foram muitos!!!”
Alessandra Rodrigues.

Mâcon-Village Domaine Valette 2005. Um vinho natural, sem adição de sulfitos, chaptalização nem acidificação, com leveduras indígenas, de uma denominação de menor importância no sul da Borgonha, feito 100% de chardonnay. Uma cor bem amarelada, com notas de oxidação, e aromas de resina, amêndoas e mel. Corpo médio a encorpado, colheita manual de vinhedo com idade média de 75 anos, e amadurece nas barricas de carvalho, sobre as borras finas por até um ano.


Vinho da Bairrada, aonde os tintos são dominados pela casta Baga, esse exemplar utiliza as uvas Maria Gomes e Arinto. O vinho fermenta e estagia em barricas de carvalho francês, dando complexidade, caráter e uma acidez equilibrada.
Esse é o vinho que gerou toda uma história entre o cineasta/Sommelier Jonathan Nossiter (Mondovino) e a loja de vinhos Cave Legrand em Paris. História iniciada no capítulo 2 do livro Gosto e Poder (de Nossiter), e desvendada no epílogo do mesmo. Nesse caso foi o Fonsalette 1997, ano da morte de Jaques Reynaud (que não deixou filhos), e não o que descrevo aqui, o 1999, já produzido por seu sobrinho Emmanuel Reynaud.
sendo um Côtes du Rhône diferenciado. Esse 99 apresentou uma cor amarelo-ouro com aromas herbáceos, vegetais e resinosos. Na boca um final longo e encorpado, mas já com uma acidez decadente. Um vinho bem superior aos Côte du Rhone encontrados por aí.
Tive nova oportunidade de tomar o Gevrey-Chambertin do Philippe Leclerc, graças à generosidade do amigo Guilherme (




Esse vinho foi comprado em uma dessas promoções de fim/início de ano e confesso que nada sabia sobre o produtor e o vinho. Comprei pela curiosidade de tomar um chardonnay grego e logicamente pelo preço, que era bem convidativo (R$22,00). Esses vinhos de promoções não são para serem guardados e sim tomados logo. Mais tarde fiquei sabendo
que esse produtor (Cambás) é um dos mais antigos e tradicionais da Grécia.
Atendendo mais uma vez ao convite do amigo Diniz, tomei o vinho Pichon- Longueville Baron safra 1999. Até a metade do século 19, o Pichon Baron e o Pichon Lalande, como são conhecidos hoje, eram uma propriedade só. Disputas familiares fizeram com que ocorresse a divisão, e em 1933 a Pinchon Longuevile foi comprada pela família Bouteillier, e em 1987 a atual proprietária, a AXA Millésimes, a comprou. 