Dias desses recebi um “presente de grego”. Sabendo que eu me interesso por vinhos, um conhecido me ofereceu um vinho de jabuticaba! Nem me lembro onde ele adquiriu, mas curioso fui atrás do que seria este vinho. Encontrei tantas denominações e variedades que vocês não acreditam. Vejam algumas: vinho de melancia, vinho de maracujá e até vinho de amoras. Na verdade, estas bebidas são como licores à base de suas frutas específicas, e não se sabe ao certo porque os produtores as chamam de “vinho”; certamente por motivos mercadológicos. Uma empresa de vermutes da Polônia comercializa diversos “vinhos” de maçã e morango. Outra na Alemanha produz um “vinho” de cereja. Erkh! Um projeto promovido pela Fapesp (SP) e apoio da Embrapa criou “vinhos” de abacaxi e pêssego. Lembremos da famosa Sidra, que é produzida com maçãs e é popular nas festas de reveillon.
E o tal vinho de jabo[u]ticaba – a grafia permite as duas formas – que ganhei, afinal, não era tão ruim e caiu “bem” com a sobremesa que comi: uma tartelette de morango da Torteria di Lorenza (foto)… “Bem” coisa nenhuma [risos], era um licor vagabundo que me deu uma azia danada.
Para não dizer que não avisei, saibam que vinho é definido pela O.I.V. (Office International de la Vigne et du Vin) como a bebida alcoólica resultante da fermentação do mosto (suco) de uvas frescas. Qualquer outra bebida fermentada não obtida dessa forma não pode ser denominada vinho (como é o caso do “vinho” de jabuticaba, do “vinho” de maracujá, etc.).

Brasil Sabor Brasília 2010!
Dizem que Robert Parker é proibido de entrar na Borgonha, na verdade isso não existe, o que ocorre é que em 1993, na terceira edição do Parker´s Wine Buyer´s Guide, no final de quatro páginas e meia de uma crítica altamente positiva dos vinhos do Domaine Faiveley, Parker escreveu: “Do lado sombrio continuam circulando rumores de que os vinhos de Faiveley degustados no estrangeiro são menos ricos que os degustados em suas adegas – algo que eu também já notei. Humm…!”
Um cabernet norte americano como não se ouve falar. Sempre que falamos de vinhos do novo mundo, principalmente cabernet sauvignon, pensamos logo em vinhos massudos, com muito extrato, pesados, de muito corpo. Aromas adocicados e enjoativos. Pois é, tive uma grande surpresa com esse vinho da vinícola californiana Buena Vista, da apelação de Carneros no Napa. O vinho era o top da
vinícola, grand reserve 1995. Estava pronto, no auge, bem redondo, sem aresta alguma. Taninos, acidez, aromas, cor, retrogosto… Tudo equilibrado, no ponto de ser tomado. Difícil acertar esse momento, mas quando acontece o prazer é enorme. Um vinho que tomado às cegas se passaria por velho mundo facilmente. Fiquei me perguntando se não foi esse tipo de vinho californiano que disputou com os franceses a conhecida degustação de Paris em 1976, confundindo até os franceses.


Ocorrerá em Brasília, no mês de maio desse ano, o curso WSET nível 1, Certificação em Vinhos. A Wine and Spirit Education Trust é uma escola de vinhos de Londres, que aqui no Brasil é representada pela The Wine School. As condições de pagamento são as seguintes: R$800,00 em 4 parcelas de R$200,00 (até dia 31/03/10) ou 3 parcelas (entrada de R$266,00 + 2 de R$267,00, até 30/04/10) ou 2 parcelas de R$400,00, até 05/05/10. À vista R$ R$760,00.





Falar da Vallontano sem falar de seu enólogo é no mínimo enxergar seus vinhos de forma distorcida. Luís Henrique Zanini é um talentoso enólogo e conhecedor dos vinhos mais obscuros que possamos imaginar. Lendo o livro Gosto e Poder, do cineasta sommelier, Jonathan Nossiter temos uma noção de quem é o Zanini. No livro descobri que vários vinhos nacionais de que gostava e achava que tinha conhecido através do Ed Motta, na verdade foram apresentados ao Nossiter pelo Zanini. São vinhos que, quando quero consumir um vinho brasileiro, é atrás deles que eu vou. Para citar alguns exemplos: Angheben, Quinta Ribeira de Mattos, Cave Ouvidor,
Vallontano e Era dos Ventos. São vinhos pouco conhecidos do grande público, mas que se assemelham pela pequena produção e ausência de manipulação para se parecerem com os exemplares Chilenos e Argentinos.


